Você já ouviu falar em deep ou deeper learning?

 

Imagine entrar em uma sala de treinamento na empresa e os colaboradores estarem todos conversando e avaliando os possíveis resultados práticos de um projeto que acabaram de desenhar juntos. E se qualquer um deles puder apresentar, detalhar, apresentar benefícios e desafios desse projeto?

Parece simples e fácil, mas não é. Os modelos educacionais aplicados atualmente, seja na academia ou nas organizações, ainda são muito baseados em repasse de conteúdos. A experiência prática ainda é um desafio para muitos educadores e treinandores por que requer um esforço grande de construção de ferramentas de simulação ou mesmo um desapego à figura central de “mestre” ou “professor”.

Essa tendência do deep(er) learning nada mais é do que uma combinação de várias teorias, como por exemplo a teoria da aprendizagem social de Albert Bandura, obviamente com suas devidas adaptações às demandas de hoje e do futuro. Segundo afirma Michael Fullan, autor do estudo intitulado A Rich Seam – How New Pedagogies Find Deep Learning, o verdadeiro aprendizado (ou aprendizado profundo, por livre adaptação) só acontece se houver o desenvolvimento de competências que permitam ao indivíduo caminhar numa progressão acadêmica ou de carreira e, principalmente, fazer o máximo uso do conhecimento que adquiriu na vida e no trabalho, sempre em constante troca com seus pares.

A questão central é como tornar o aprendizado mais consistente e “profundo” em uma empresa ou faculdade, por exemplo?

Michael Fullan apresenta, em seu estudo, algumas possibilidades. Veja:

  • Reestruturar os currículos ou grades de formação, contemplando ao máximo novos desafios, novas formas de engajamento, modernizando também os meios de acesso com ferramentas digitais;
  • Oferecer aos indivíduos experiências reais na criação e uso dos conhecimentos no mundo fora da sala de aula. Apenas repassar um conteúdo numa sala e aplicar uma avaliação não garante que houve absorção e, principalmente, que aquele conhecimento será devidamente aplicado na vida prática;
  • Desenvolver habilidades para o futuro e não somente para o momento presente. Nesse ponto, Michael Fullan traz uma contribuição do que ele chama, no inglês, de “os 6 C´s”:
  1. Character education (A educação do caráter): investir na educação como forma de reforçar a honestidade, a responsabilidade, o trabalho árduo, a perseverança, a empatia, o desejo de contribuir para a segurança e benefício dos outros, a autoconfiança e outras habilidades similares que farão o indivíduo estar preparado para encarar a vida.
  2. Citizenchip (Cidadania): Conhecimento global, sensibilidade e respeito por outras culturas, envolvimento em questões de sustentabilidade humana e ambiental.
  3. Communication (Comunicação): Habilidade de comunicação oral e escrita, domínio de ferramentas digitais e escuta qualificada.
  4. Critical thinking and problem solving (Pensamento crítico e resolução de problemas): Habilidade de pensar criticamente para criar e gerenciar projetos, resolver problemas, tomar decisões eficazes usando uma variedade de ferramentas digitais e demais recursos.
  5. Collaboration (Colaboração): Trabalhar em equipe, aprender e contribuir para a aprendizagem de outras pessoas, respeito à diversidade, uso consciente e inteligente das mídias sociais.
  6. Creativity and imagination (Criatividade e imaginação): empreendedorismo económico e social, considerando e buscando novas ideias e desenvolvendo a liderança para a ação.

Na prática, é possível implementar o deep(er) learning nas escolas e empresas?

Certamente. É um grande desafio e especialmente se considerarmos as barreiras culturais e o estágio em que a educação, tanto acadêmica quanto corporativa, se encontra, entenderemos a dimensão do que precisa ser feito nesse sentido. O que os especialistas defendem e acreditam é que aplicando ações educacionais estruturadas, seguindo propostas como a do deep(er) learning, em uma década teremos sujeitos mais ativos, autônomos na sua busca pelo conhecimento e também no seu compartilhamento e aplicação.

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Até o próximo!

 

Ubirajara Neiva

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