Você já ouviu falar em protagonismo na educação corporativa?

É mais comum ouvirmos falar da criança protagonista ou mesmo do jovem protagonista na educação formal, onde temos diversos especialistas que discutem o tema. Porém, é premente a necessidade de se falar de protagonismo na aprendizagem em outras instâncias e a empresa é um dos ambientes mais importantes para isso, já que as pessoas passam a maior parte de suas vidas no trabalho.

O termo protagonismo (origem grega: proto, que significa primeiro/principal e agon, que significa luta) diz respeito à atitude do indivíduo em relação ao conhecimento e como esse indivíduo se apropria e aplica esse conhecimento no seu mundo, afim de transformá-lo ativamente. E esse conceito tem, em diversos escritores, sentidos mais aprofundados.

Para Ferreti, Zibas e Tartuce (2004), há diversas possibilidades de se interpretar o protagonismo: “participação”, “responsabilidade social”, “identidade”, “autonomia” e “cidadania”. E esses autores ainda citam diversos outros autores que associam e reforçam o protagonismo à formação para a cidadania, o que acredito ser o ponto mais importante dessa discussão, já que traz à tona o envolvimento mais que necessário do indivíduo na teia social, onde interage, troca conhecimentos e entende as transformações do seu universo.

A minha visão do protagonista da educação corporativa está muito associada às experiências que já vivi em empresas e que sei que muitos dos leitores do blog vivem diariamente. Um exemplo me vem rapidamente à memória: aplicávamos uma ação de treinamento numa empresa, para um grupo de operadores de máquinas de uma mina. Era um treinamento comportamental, em que o objetivo era a formação básica sobre competências essenciais. A criação de um ambiente confortável e os estímulos à contribuição espontânea durante o treinamento proporcionaram a identificação de atores interessantes da aprendizagem. Pessoas que traziam não só contribuições técnicas e dados importantes da operação, mas que demonstravam seu interesse em ir mais longe. É aí que mora o protagonismo. Quando se consegue engajar um colaborador e ver que ele acredita que pode aprender e se esforça para isso.


E como fazer isso nas empresas?

Aqui é importante retomar uma contribuição de Vygotsky, que já citei aqui em outra oportunidade. Esse autor propõe uma visão de homem como sujeito social e interativo que, desde criança, em seus grupos sociais, constrói o conhecimento com a ajuda do adulto e seus pares. Com essa contextualização do grupo social, Vygotsky considera então que a aprendizagem ocorre a partir de um intenso processo de interação social, por meio do qual o indivíduo vai internalizando os instrumentos culturais. O que podemos entender dessa afirmação é que partilhar e compartilhar experiências e vivências com outros indivíduos é enriquecedor e possibilita também a ressignificação do conhecimento.

Por isso é tão importante se criar ou manter nas empresas ações de educação que primem por mentorias, monitorias, ambientes de tentativas e erros, experimentação constante, desenvolvimento coletivo de projetos e atividades e outras ações dessa natureza. A chave para o protagonismo na educação corporativa passa também pela autonomia na aprendizagem. Quanto maior for o espaço que o aprendedor tiver para experimentar e aplicar os resultados dos seus experimentos, mesmo que de forma controlada, melhor será seu posicionamento diante das responsabilidades e, consequentemente, da sua carreira.

Por essa perspectiva, é possível entender que um protagonista da aprendizagem numa empresa, aquele que vai ser um pilar da transformação e forte agente de mudanças, é o indivíduo constantemente estimulado a pensar, a processar o conhecimento, a criar novas redes de pensamento e ação. Ele atua de forma autêntica e participativa, propondo alternativas e assumindo responsabilidades. E não precisa ser um líder de equipe para isso.

Para o seu trabalho com treinamento e formação, tenha sempre em mente que para ser protagonista, o indivíduo precisa mudar de nível na escala individual e coletiva. Ele precisa deixar o papel de coadjuvante, para tornar-se dinamizador de atitudes e ações. E isso se refletirá nos resultados dele, do grupo e, futuramente, se refletirá na sociedade como um todo.

O que você acha?

Você é um protagonista ou um coadjuvante?

O que você tem feito para ser um protagonista e para empoderar os outros para também o sejam?

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Até o próximo.

 

Ubirajara Neiva

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FERRETI, C.J.; ZIBAS, D.M.L.; TARTUCE G.L.B.P. Protagonismo juvenil na literatura especializada e na reforma do ensino médio. Cadernos de Pesquisa, v.24, n.122, p. 411- 423, São Paulo. Maio/ago.2004.

VYGOTSKY LS. Psicologia pedagógica. Porto Alegre: Artmed; 2003. 248p.